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sábado, 24 de agosto de 2019

O CABOCLO D’ÁGUA – LENDAS DO VELHO CHICO (I)



Não sei se o rio Amazonas tem um tratamento carinhoso por parte dos que habitam às suas margens. Mas uma coisa é certa, nós, cá de Minas Gerais, chamamos o rio que leva o nome de Francisco, o santo protetor dos animais, de Velho Chico.
E bota velhice nisso. 

Desde muito antes dos europeus chegarem ao Brasil as populações nativas conviviam com a imensidão do rio e tentavam explicar a sua origem.
Uma das lendas indígenas diz que em uma grande tribo na região da Serra da Canastra, onde situa-se a nascente do Velho Chico, morava uma índia chamada Iati.
Certo dia ela foi separada de seu noivo amado, um guerreiro forte e valente, que precisou partir para a guerra.
Tão numerosos eram os guerreiros em marcha que suas pisadas criaram um sulco cada vez mais profundo na terra que acabou engolindo a todos eles.
Desolada Iati chorou copiosamente até o fim de sua vida. As suas lágrimas correram para o grande sulco formando o imenso rio.
Essa lenda mexe com os sentimentos. 

E por falar em sentimentos e emoções são deles que surgem outras lendas e histórias para explicar os muitos mistérios ocultos pelas águas barrentas do rio São Francisco.

Você já ouviu falar no Caboclo D’água, por alguns conhecido como Nego D’água?
A criatura, de cabeça enorme com um único olho bem no meio da testa, à moda dos ciclopes, provoca medo e arrepios nos pescadores mais experientes.
Segundo garantem os contadores de "causos" os Caboclos D’água moram no fundo do rio. Mas não é no meio do barro não, as moradias deles são grutas de ouro puro, muito bem escondidas nos lugares mais profundos.
E até hoje ninguém se habilitou a procurar alguma dessas grutas para se enriquecer com tanto ouro.

O Caboclo D’água é só mais um dos muitos guardiões do Velho Chico.
Quando ele percebe que algum pescador está desrespeitando o Velho Chico, praticando a pesca de forma predatória, por exemplo, ele faz emborcar as canoas ou até mesmo pequenas embarcações. E muita gente já se afogou por conta desses naufrágios.
Ele também espanta os peixes e por mais que o pescador peleje não fisga nenhum. E quando é assim não adianta insistir.

Os Caboclos D’água tem lá também suas manias, como de resto temos todos nós. Apreciam fumo e pinga da boa.
Por isso os mais cautelosos quando partem para viagem ou o trabalho sempre levam esses produtos em um saquinho para, antes da pescaria, largar como oferenda sobre o rio para que afunde e lá nas profundezas acalme o espírito.
E por precaução muitos também mandam pintar o fundo do casco das embarcações como se fosse um céu estrelado.
É que o Caboclo D’Água, olhando das profundezas vê as estrelas e não se aproxima.

Tem gente que diz que é lenda, história de pescador. 
Mas pelo sim ou pelo não, melhor se precaver, não concorda?


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